O dia que eu virei macumbero


Eu preciso contar essa história porque quem me conhece da internet acha que eu venho de uma família que já segue o culto da magia e etc a muito tempo e por isso eu to nessa.

Mas não, eu vou contar pra vocês como eu entrei pra religião e comecei a despertar meus dons mágicos, e como o chamado pode acontecer das maneiras mais malucas pra cada pessoa.

Eu venho de família católica, quando eu era criança fiz catequese aos 7 anos, aos 11 a crisma e aos 13 durante uma excursão com o grupo de escoteiros (sim, eu fui escoteiro) eu aprendi um pouco do que foi a chegada da igreja católica no Brasil.

Aí quando eu voltei pra igreja, eu não queria mais fazer parte daquilo, e eu amava demais estar na igreja sempre, mas eu não podia compactuar com tudo de errado que a igreja tinha feito no passado e a minha catequista não conseguia achar respostas pras minhas perguntas, ai eu me rebelei de religião, aos 13 anos, e virei ateu.

Na rua onde eu nasci e fui criado era bem atípico, porque na mesma rua tinha uma igreja católica (essa que eu frequentava) três igrejas evangélicas (eram diferentes, mas eu não sei até hoje qual era qual) e no meio um terreiro de macumba. Essa era a Rua Amapá, em Itaquaquecetuba, nos meus 13 anos.

Eu neste momento não queria mais ser cristão. Não pelo Cristo, as idéias dele eu apoio até hoje, o problema tava no fandom dele, não era o que eu achava que fazia sentido, e eu criança via sempre o povo passando pela rua, os evangélicos sempre de terno e gravata, super sociais, e os macumbero sempre de branco e umas cores esquisitas, e eu tinha 13 anos e nada fazia sentido.

Ai virei ateu, nessa época eu já jogava RPG e eu gostava de beber.

Com 14 anos minha mãe começou a namorar um rapaz, e esse rapaz tinha uma irmã que devia ter uns 19 anos na época, eu tinha 14. Ai vocês já sabem como homem é na adolescência, né? o coração vai lá nas alturas por qualquer menina. E essa irmã do meu padrasto me chamou pra uma festa, disse que ia ter Whisky, e era de graça pra entrar….. >>>> mas era na macumba. Ai eu pensei, to nem ai. não acredito nisso mesmo. Eu vou lá e vou beber de graça. Ai eu fui pra festa de Exu, minha mãe e meu padrasto foram em seguida porque sabiam que eu tava lá.

Ai a irmã do meu padrasto no meio da festa se dirige a mim, virada no 7 capas, na hora eu não entendia, eu achava que aquilo tudo era loucura, ai o 7 capas me estendeu as mãos pra eu cumprimentar (quem é do axé sabe como exu cumprimenta) e eu falei “não vou pegar na sua mão não” e ele falou “Ué, qual é seu medo, você não acha que é tudo brincadeira?” ai eu ri na cara do Exu e ele disse que se eu quisesse beber antes deveria segurar na sua mão.

Ai eu segurei na mão do 7 capas Isso era sábado à noite Quando eu voltei a mim, já era domingo de manhã, eu tava ajoelhado no colo do Baiano dos cocos, incorporado na minha primeira Iya Lenira, que foi o catiço que desenvolveu as minhas entidades. Naquela noite quem veio primeiro foi o 7 Brasas, e deu passagem a todos outros catiços que trabalham comigo até hoje.


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